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CAPÍTULO 1: A Reunião Do Faz De Conta
Temer, Renan e Maia se reúnem no domingo em rede nacional e falam contra a anistia do caixa 2.

CAPÍTULO 2: Os Bastidores Do Poder
Na segunda, ao invés de ir a Chapecó apoiar as famílias da tragédia, como faria todo estadista, Temer passou o dia ligando para Senadores para que fosse aprovada a PEC 55, a tal PEC do corte dos gastos por 20 anos, também chamada carinhosamente pelos opositores de PEC da Morte ou PEC do Fim do Mundo. Pois bem, inocente acreditar que o circo armado fosse para o nosso o bem.

CAPÍTULO 3: Na Calada Da Noite
Nesta madrugada foi votada e aprovada pelo Congresso Nacional a proposta das dez medidas contra a corrupção. Mas o que foi aprovado mesmo nesta madrugada de terça para quarta foi o AI-5 do Crime Organizado. A aprovação da proposta das #10Medidas contra a corrupção se transformou numa aberração incalculável e inimaginável: não foi aprovada a anistia do caixa 2, conforme prometido no domingo, pois isso era o pretexto para aprovar todo o resto. Na calada da noite, fizeram das propostas contra a corrupção um pacote a favor da corrupção, assim, na cara dura. É o jogo do vale-tudo. Das dez medidas originais, só quatro foram mantidas, e com modificações.

CAPÍTULO 4: 10 Medidas Pró-Corrupção Aprovadas
1. Rejeitaram que os acordos de leniência por parte das empresas pegas em corrupção fossem celebrados pelo Ministério Público.
2. Rejeitaram o crime de enriquecimento ilícito de funcionários públicos.
3. Rejeitaram o confisco dos bens no caso de enriquecimento ilícito.
4. Rejeitaram o “reportante do bem”, aquele cidadão que ao denunciar crimes de corrupção seria recompensado por isto.
5. Derrubaram as mudanças para dificultar as prescrições de penas, entre outras aberrações.
6. Rejeitaram os acordos entre defesa e acusação no caso de crimes menos graves. O objetivo era tentar simplificar os processos.
7. Rejeitaram o confisco alargado para que o criminoso não tivesse mais acesso ao produto do crime, para que não continuasse a delinquir e não usufruir do produto do crime.
8. Rejeitaram a responsabilização de partidos que previa a responsabilização dos partidos políticos e a suspensão do registro da legenda por crime grave.
9. Além de retirarem diversas propostas, os deputados incluíram outras, como a proposta de punição de juízes e membros do Ministério Público por abuso de autoridade.
10. Os procuradores ou promotores também estarão sujeitos a indenizar o denunciado pelos danos materiais, morais ou à imagem que houver provocado.

CAPÍTULO 5: Inocente Somos Nós e Ninguém Bateu Panela
O que a Câmara aprovou das #10Medidas e Senado aprovou com a PEC 55 visa apenas e tão somente manter e ampliar seus interesses políticos e privados. Simples assim. E de forma democrática e legal, pois demos a eles o poder através do voto. Inocente foram o MPF, o procurador Dalagnoll e todos nós. Inocente fomos nós ao pensar que o impeachment era para acabar com a corrupção e resolver a crise. E ninguém bateu panela.

CAPÍTULO 6: Está Tudo Dominado
Geddel formava com Eliseu Padilha, Chefe da Casa Civil, e Moreira Franco, Secretário Executivo, todos do PMDB, o trio de maior confiança de Temer. Geddel caiu ao pressionar o Ministro da Cultura (órgão extinto e depois recriado por Temer) para liberar uma obra embargada no centro histórico de Salvador, no qual era interessado. Temer e Padilha, ao que tudo indica, também pressionaram o Ministro Calero para favorecer seu protegido Geddel. Agiram todos por interesses pessoais. Romero Jucá, outro companheiro de PMDB, deixou o Ministério do Planejamento assim que foi pego em uma gravação tentando sabotar a Lava Jato. Votou ao Senado como líder do governo. Agiu por interesse pessoal. Renan, o Presidente do Senado propõe no um projeto de Lei para intimidar o Judiciário. Mais um político do PMDB agindo por interesses pessoais. Cunha, quando Presidente da Câmara, aceitou a denúncia de impeachment após o PT retirar o apoio a ele na Comissão de Ética. Outro político do PMDB agindo por interesses pessoais. Esses mesmos personagens que estão no poder hoje estavam no poder quando o presidente era Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma. De uma forma ou de outra. Está tudo dominado.

CAPÍTULO 7: Minha Casa, Meus Investimentos E Meus Interesses Pessoais
Falando em interesses pessoais, lembremos que além de viver em um país democrático, nosso sistema econômico é capitalista. Mas não vou entrar no mérito que rolou esses dias na internet sobre a compra de imóveis do Minha Casa Minha Vida feito pelo procurador Dalagnoll. É normal que todos queiram prosperar. Essa é a lógica capitalista. Entretanto, não é uma questão de direitos apenas, é acima de tudo uma questão de privilégios e interesses pessoais. Em última instância é uma questão moral. Ou eu diria imoral, afinal o MCMV foi feito para pessoas de classes pobres ou quem ainda não possui imóveis. Não é o caso procurador. Mas, por vivermos em sociedade onde a vantagem pessoal está acima da vantagem coletiva, todos nós estamos procurando nosso lugar ao sol, nem que para isso tenhamos que empurrar e passar por cima de outros. E infelizmente, isso não é diferente para quem tem poder como empresários inescrupulosos, sonegadores de impostos e corruptos, procuradores, juízes, deputados, senadores e presidente da República. Cada qual tem seus princípios e interesses, e muito, muito poder. Essa parece ser a lógica e não há santos nesta história.

CAPÍTULO 8: Powerpoint Vende
Toda via, a crise aperta para o lado mais fraco. A PEC 55 prova isso. Não se iluda, ela é ruim, por mais que digam que é importante cortar os gastos públicos, isso vai além. É sempre assim: no powerpoint é lindo e o que é entregue é um monstrengo. O nome é lindo: 10 medidas contra a corrupção. na prática, deu no que deu. O nome é lindo: PEC do corte dos gastos. Daqui a vinte anos a gente conversa.

CAPÍTULO 9: O Pato E A Revolta
Em todas as crises há um pato. E há alguém que irá pagar o pato. Quem paga o pato sempre é o pobre e a classe média. É o lado fraco da balança. E no outro lado da balança vemos uma casta de políticos aprovando corte nos gastos sociais por 20 anos, medidas pró-corrupção e outra casta de funcionários públicos com salários acima do teto, benefícios obscuros e benesses desproporcionais ao que recebe o brasileiro médio. Isto faz qualquer um ficar revoltado ou resignado.

CAPÍTULO 10: Somos a Parte Interessada Ou A Parte Interesseira?
Como fomos criados, nossas experiências e vivência do mundo? Cada um de nós vê o mundo de forma diferente e reage conforme princípios e interesses. Por exemplo, uma dona de casa pode pensar que a PEC 55 é boa, pois precisamos economizar e cortar os gastos, e sua família não usa a escola pública e a saúde pública. Essa mesma dona de casa pode pensar que as propostas das 10 medidas aprovadas como foram são ruins pois ela é “contra a corrupção”, como todos nós. Já um estudante da escola pública ou um velhinho que precisa do SUS, serão contra a PEC 55 e também contra as medidas pró-corrupção aprovadas. O empresário será a favor das PEC 55 e contra as medidas pró-corrupção aprovadas. Já um político… Relembrando: cada um de nós reage as coisas conforme princípios e interesses. Depende de qual deles você coloca na frente. Quando eu coloco os meus princípios a frente dos meus interesses, eu serei contra a PEC 55 e contra as 10 medidas independentemente de quem seja eu: dona de casa, político, empresário, trabalhador, estudante, aposentado ou idoso. Mas isso não significa que sou contra o corte dos gastos ou a favor da corrupção. É porque eu tive o disparate de me informar e ler as propostas aprovadas. Sou parte interessada no assunto.

CAPÍTULO 11: O Poder Do Protesto
Não, eu não tenho poder. E nem você tem. Sozinhos não. Esse jogo não foi feito para um povo desunido ganhar. É o jogo do ganha-ganha da minoria contra o perde-perde da maioria. Os criminosos de colarinho branco vencem mais uma vez e a Justiça e o povo saem enfraquecidos. É o jogo de “O Povo Se Ferra”. Eles nos colocam uns contra os outros e saem ilesos. É militante de esquerda contra militante de direita e eles nem ao certo leram Karl Marx ou Adam Smith. São todos contra a corrupção e são a favor de uma escola e saúde de qualidade e brigam porque não possuem entendimento correto dos assuntos. Não somos nada assim. Não temos nada assim. Mas mesmo assim temos a voz. É a única coisa que temos. A voz. O grito. O protesto. Temos que ter a atitude de nos informar mais, ler mais, discutir civilizadamente mais. Falar. E não calar! Nossa Democracia será mais forte quando tivermos mais gente nas ruas, mais plebiscitos e referendos. Assim se constrói a Democracia. A não ser que queiramos a Anarquia ou o retorno à Ditadura. Creio que não estamos preparados nem para um e muito menos para o outro.

CAPÍTULO 12: Julgamentos Antes Dos Julgamentos
Neste momento estamos vivendo no Brasil uma passagem da nossa História de julgamentos morais e linchamentos públicos, vide o caso do quebra-quebra na casa do suposto dono do drone que provocou a torcida do Inter ou quando os policiais dão um trato nos estudantes e manifestantes contra a PEC 55 no Senado. Estavam lá no Senado, no estádio de futebol, mas quem estava na Câmara dos Deputados acompanhando a votação das 10 medidas? É muito interesse pessoal, ódio, sangue nos olhos, faca nos dentes. Enquanto ficarmos no “cada um por si” e “farinha pouca meu pirão primeiro” esquecemos a Nação. Conseguiram retirar da Presidência aquela que não teve nenhuma acusação de corrupção. Foi removida por uma questão administrativa, seu governo foi ruim, mas o que estamos vivendo é pior. Por isso eu, assim como muitas outras pessoas, não me sinto à vontade de fazer o mesmo. Não vou julgar ninguém. Neste momento eu só ouço, interpreto. Não quero ter razão. Eu quero PAZ.

CAPÍTULO 13: Somos Mais Que 11
Apesar da idolatrização a tantos procuradores e juízes, não sem seus méritos, diga-se de passagem, apesar de toda essa idolatrização, tenham certeza, não há salvadores da pátria, e ninguém está imune. Não somos perfeitos, não somos únicos, não somos especiais. Por isso precisamos uns dos outros, e precisamos cobrar de nós mesmos pois depende de nós. Somos nós quem devemos dar o primeiro passo. Não espere isso de nenhuma instância de poder. Comecemos por nós. Temos princípios e interesses. E quando falamos de construir uma nação, devemos colocar os princípios na frente dos interesses. Assim como todo o mundo do futebol se uniu em prol da Chapecoense e dos familiares mortos neste terrível acidente, temos que fazer o mesmo em outras instâncias de nossas vidas: temos que nos solidarizar com os outros e nos colocarmos em seus lugares. Como diz o próprio Dallagnol temos que “deixar de praticar as pequenas corrupções do nosso dia a dia, que acaba gerando tolerância com a grande corrupção”. E conclui “Atitude! Nós precisamos agir”.

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