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Dilma,

Sua cabeça está na guilhotina e eu sou o seu carrasco.

Me deram o poder da lâmina no seu pescoço.

Um poder político, financeiro, jurídico, policialesco e midiático.

Este é o seu castigo, este é o meu desgosto, este é o seu destino e este é o meu ocaso.

Esta é minha punição por ter em você votado, na última eleição, mesmo contrariado.

Mas agora, chegou a hora, a hora de ser cobrado.

Você morre em minhas mãos e seu sangue será derramado.

Ninguém sabe bem o por quê, ninguém se importa ou fora consultado.

Qual é a sua condenação? Por que ainda o processo não foi julgado?

Neste segundo, neste eterno retorno, retorno ao meu oráculo.

Lembra da campanha de 89?

Do caçador de marajás da Veja e do Globo Repórter?

Collor era o collorido, o bom moço, o bem amado.

Lula era o comuna, o sapo-barbudo e proletário.

Collor era o novo, era jovem, um lindo empresário.

Mas farsa collorida duraria muito pouco…

Impichado por seus comparsas, assumiu o Itamar fraco

com seu topete viciado.

Viciado em meninas sem calcinha quase sofre um golpe de estado.

Mas eu ainda tinha ideologia, tinha consciência e tinha lado.

Minha rede era a Rede Povo! E com o povo eu tinha fechado.

Em 94 lá estávamos de novo, cantando e sendo encantado!

Não deu e o Brasil perdeu o passo, caiu do abismo no buraco.

O buraco era mais fundo, foi-se a Vale, foi-se o ouro,

estávamos todos quebrados.

Vendidos por dinheiro pouco, nada nunca foi provado.

Por conta do poder financeiro, político, jurídico, policialesco e midiático.

Em 98 tentamos mudar o paço, queríamos o metalúrgico no palácio.

Com a força do voto e do povo, não deu certo, deu errado.

Mais uma vez estávamos frustrados, enterrados outra vez no buraco.

Fernandinho era o príncipe do que fora privatizado.

Mas veio a pasta rosa e toda a sujeira do caso Banestado.

Ninguém investigado, ninguém preso, julgado ou condenado.

Tudo fora arquivado, tudo era engavetado.

Então percebemos que não tínhamos como lutar contra quem tem a bazuca do Estado.

O Estado político, financeiro, jurídico, policialesco e midiático.

Eles só prendem e condenam preto, pobre e miserável

que rouba uma galinha do supermercado.

Supermercado este, multinacional e multibilionário.

Não temos como enfrentar a besta grande, melhor ficarmos calados.

Mas aí, veio 2002 e o povo já estava cansado.

Casado do complexo de vira-lata, cansado de um governo corrupto e fracassado.

Lula foi eleito após este longo bocado.

Saímos às ruas para comemorar a conquista do operário.

Como fora democrático, nenhum rei, príncipe ou rainha fora executado.

Não havia paredão, guilhotina, execução ou até mesmo carrascos.

Estávamos tão felizes que deixamos pra lá os safados.

Fome-Zero do Betinho fora sancionado.

Brasil crescendo de vento em popa e no mundo, sendo elogiado.

“É o cara, é o cara”, disse o Obama empolgado.

Era mesmo puro êxtase até o mensalão mal-fadado.

Muita corrupção para um partido que se dizia ético e ilibado.

Mas ilibado é impossível com porcos aliados.

Eu já sabia disso, mas por um tempo me mantive calado.

Era muita decepção e um nó na garganta eu tinha entalado.

Mas não votei mais em vocês depois desse terrível fato.

Minhas primeiras escolhas continuaram à esquerda,

mas já não estava mais neste compasso.

O gesto se repetiu, o escrutínio estava lançado.

Fui de Cristovam, de Marina e Luciana nos últimos atos.

E por força do desejo, meu voto não é anulável.

Mas esforcei com tanta força que a lama desceu rio abaixo.

Era Doce, era drama, era lama e, o petrolão sujou seu mandato.

Me mandaram novamente lançar a lâmina e cortar o seu barato.

Você me pergunta quem? Eu te digo bem regrado.

É o Estado político, financeiro, jurídico, policialesco e midiático.

Eles vivem me enchendo o saco.

É notícia tendenciosa o tempo todo, sem descanso e sem preparo.

São mentiras descaradas e meias-verdades para todos os lados.

Implantaram uma nova ideia, como num manta sagrado:

“Fora Dilma! Fora PT” mil vezes iterados.

Mas mamãe já me dizia: cabeça vazia é oficina do diabo.

Eles pensam que sou bobo, ignorante e continuo um otário.

Mas ainda, neste eterno segundo retorno lembrei-me de todos os fatos.

Temos muitos outros atores culpados, mas não julgados.

Por que deveria eu cortar sua corda sem fatos comprovados?

As coisas não são tão flores, nem o jasmim e nem a rosa exalam tantos odores

como os destes ratos putrefatos…

Num naufrágio, são eles os primeiros a abandonarem o barco.

Dilma, caia na real! Cumpra seu dever com o povo, pois este está do seu lado.

Não somos da CBF, esta empresa mais suja que a Samarco.

Amanhã inicia-se a revolução e o povo vai às ruas

exigir que seu voto seja respeitado.

Quem me tragam primeiro o Maluf

e o Serra para serem serrados.

E que me tragam o Eduardo Cunha, o Temer e o Neves

para que com papéis higiênicos sejam higienizados.

Nem tudo que devo eu quero. Nem tudo que posso eu faço.

É, já não sou mais um ventríloquo, já não sou mais manipulável.

Lula e Dilma: diretos para o final da fila!

Mas vocês não serão poupados.

E não se esqueçam: não haverá perdão para os condenados.

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