Último lançamento do cinema: Corra Lula Corra

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O protagonista de “Corra Lula, Corra!” é o Tempo Moro. Todos os outros são secundários. Principalmente aquilo que é realmente importante: os espectadores.

Escravos do tempo e de tudo o que está atrelado a ele, perdemos a capacidade de julgamento, de amar e tudo mais de bom que existe.

O filme nos faz pensar em como nos posicionaremos diante da história, portanto, do passado, do presente e nosso possível futuro. Como dizia o anarquista russo Mikhail Bakunin: “Foi na busca do impossível que o homem realizou e reconheceu o possível”.

A música frenética que acompanha Lula em sua desabalada correria é o “tic-tac” insano e moderno de uma sociedade que desaprendeu de simplesmente existir. O imediatismo no julgamento dos personagens é mote do cruel tempo.

No filme, pouco importa o caráter dos personagens como Dirceu, o pai de Lula, um bandidinho preso e confundido como chefe, um empresário inescrupuloso chamado Chefe Marinho e toda sua rede de mídia, sua filha Dilma que está preste a ser degolada na mão do sanguinário Cunha e seus tantos picaretas. Enfim, pouco importa o caráter de ninguém, pois o principal é… O Tempo Moro e seu fiel escudeiro, o ministro-fazendeiro-empresário Gilmar.

Lula é uma espécie de ponteiro do relógio. Então ele corre, corre, corre, porque o tempo sempre corre.

No inicio da história da marcação das horas os relógios não tinham o ponteiro de segundos. Hoje tem o de segundos e os mais modernos marcam milésimos, centésimos… Quanto mais preciso é a marcação do tempo mais precisão é exigida das pessoas. E precisão significa escravidão.

Escravos do tempo e de tudo o que está atrelado a ele, nós, a platéia, perdemos a capacidade de julgamento, de amar e tudo mais de bom que existe.

Lula corre e ao correr interfere nas vidas daqueles que estão no caminho de sua corrida. E sem perceber, por que nunca percebemos aqueles que ultrapassamos na rua, em nossa corrida em busca sempre de algo que na maioria das vezes nem sabemos o quê.

Três finais possíveis para uma mesma história inicial:
1. Lula morre, assim como sua filha Dilma; o Chefe Marinho coloca o Tempo Moro como sub-chefe.
2. Lula é preso e sua filha é destituída do trono; o Chefe Marinho coloca o sanguinário Cunha para comandar a facção juntamente com seus sócios Temer e Renan, ambos sempre a espreita.
3. Lula vence o Tempo Moro e a todos, principalmente o Chefe Marinho e, por fim é consagrado pelos espectadores, salva sua filha Dilma e ela consegue terminar o que começou: governar o filme para todos os espectadores.

De qualquer forma, “Corra Lula, Corra!” é um filme surpreendente sob todos os aspectos em que o analisemos. E principalmente surpreendente por tratar de temas tão pouco discutidos e nem sempre tratados com tanta competência: a política, a justiça e seu verdadeiro Tempo.

Adaptado originalmente da resenha do filme alemão Corra Lola Corra.

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